Houve uma vez um sujeitinho intransigente que disse que tudo que eu dizia sobre sexo era pura conversa, afinal, ele sempre tentava me levar para a cama e nunca conseguia.

É engraçada essa falta de raciocínio lógico. Acham que, por adorar sexo, devo abandonar critérios. A maioria dos homens não se toca de que eu posso transar com mil pessoas, mas que todas essas mil serão escolhidas com cuidado. Eu sempre escolhi, escolho e continuarei escolhendo. Em suma, não sei se eles são ingênuos, machistas, recalcados ou simplesmente burros mesmo.

Só sei que acho muito cômico quando um cara chega sem o menor tato e acha que basta convidar que adentrarei o motel. É por isso que em várias ocasiões entrei em quartos com muitos deles apenas para fazer chacota (um deles pagou até clube de swing. Para quê? Para nada!). Avisei que não daria e, quando cheguei lá, não dei mesmo. E todos os bobos ficaram com expressão besta na cara ao perceber que gastaram uma boa grana apenas para ficar esperando por um pouco de ação que nunca veio.

Há também o tipo que pensa que basta juntar uma mulher sexualmente ativa e uma garrafa de uísque importado para render uma trepada. Pode funcionar com algumas, mas comigo não. É por isso que já vi muitos caírem alcoolizados enquanto esperavam que eu esboçasse a mínima oferta de beijo que nunca veio.

Também tem aqueles que tentam se aproximar de mim alegando outros interesses (”trabalhe comigo”, “deixe eu te fotografar”, “faça um texto para mim” etc ad infinitum), na esperança de conseguir aí uma extensão para os lençóis. Estes ficam esperando mais do que nunca, afinal, sexo para mim é moeda de troca de prazer, não de favores ou trabalho. Estes têm menos chance ainda do que os outros exemplares.

Outrossim, já tentaram me incitar chamando para assistir a filmes pornôs. E eu aceitei o convite. Assisti a todos os filmes e, enquanto tudo rolava na tela, eu me lembrava da melhor transa da minha vida e me esquecia do babaca ao lado. E logo depois dava adeus àquele que achou que me provocaria com um videozinho qualquer. E ele ficava, literalmente, na mão.

Todos os homens com quem não durmo pensam que falo demais e ajo de menos simplesmente porque nunca dormiram comigo. Alguns até fazem questão de me dizer isso, só para ver se vou me sentir desafiada e tentarei “provar o contrário”, como se eu fosse uma criança diante de métodos de psicologia reversa. Ingênuos, machistas, recalcados, burros…

A verdade é que não preciso provar a nenhum deles o que faço ou deixo de fazer na cama. Até porque, quem já me conheceu nessa situação, sabe bem.

No fim, o que vai valer é a minha escolha. Posso transar com um homem apenas cinco minutos depois de conhecê-lo, mas só porque eu determinei que seria assim. Aqueles que precisarem usar de muitas artimanhas e de conversinha de homem rejeitado, simplesmente deveriam desistir. Sabe como é: burrice não me dá tesão algum.



Mulher: Por que você não me ligou no dia seguinte? Não gostou da nossa noite juntos?

Homem: Gostei, gostei… Mas, se eu fosse você, aprenderia a cozinhar…

Amigo 1: vendo aquele Honda Civic estacionado ali?

Amigo 2: . O que tem ele?

Amigo 1: Pois é… Aquele ali é o meu pau.

 

Homem: Há quanto tempo você e seu parceiro não transam?

Mulher: Mais de um ano…

Homem: O quê? Que é isso?! Acho que até minha mãe tem transado com mais freqüência!

 

Homem passa em carro importado, em alta velocidade e cantando os pneus. Comentário de mulher que estava na rua:

- Ê pau pequeno, hein, filho?!

 

Homem: Por que você não quer sair comigo de novo? Não gostou da nossa noite juntos?

Mulher: Gostei, gostei… Mas, se eu fosse você, aprenderia a fazer pequenos reparos domésticos…

Mulher caminhando na rua, ouve uma cantada de um homem alto:

Homem: Que delícia, hein? Pequenininha do jeito que eu gosto…

Mulher: Desculpa, não vai dar. Eu não gosto dos pequenos!

Dedicado ao Arnaldo Andrade.



É preciso saber quando largar um vício.
Agora é viver um dia de cada vez.
Admitir a impotência perante um sexo tão intenso.
Acreditar que ainda posso ter a sanidade de volta.
Empregar força de vontade.
Analisar bem meus valores.
Assumir que essa situação está me desfavorecendo.
Prontificar-me a mudar.
Reparar todos os danos.
Manter a palavra em relação a todas as promessas anteriores.

E claro: achar um cara muito bom de cama assim que possível.



Cooper,
Sou virgem e estou com medo de pagar mico na cama na minha primeira vez…
Luciene 

Vamos brincar de ser realistas? Então tá. Eu começo; sua primeira vez provavelmente será:
a) Uma porcaria. Você não vai saber muito bem o que fazer, vai doer e não vai ter orgasmo.
b) Fisicamente ruim, mas emocionalmente legal.
c) Boa. Até você praticar sexo com freqüência e descobrir que aquilo ali não foi nada.
A verdade é que muitas mulheres se preocupam com a primeira vez, quando na verdade ela vai deixar de ser importante depois que você descobrir que o que é legal no sexo não é a consumação do ato, mas toda a diversão geral que ele proporciona.
Não vou ficar te iludindo. As chances de você marcar a alternativa “a” nesse joguinho são muito grandes. Você estará tensa, vai sentir-se meio estranha na hora por estar lidando com algo completamente novo e a penetração tem tudo para não ser tão confortável, por mais que haja tesão.
A única coisa que posso te aconselhar a fazer é tentar explorar o sexo de outras formas antes de chegar na penetração em si, para ir relaxando de forma gradual. Pratique sexo oral, carícias bem íntimas e masturbação com seu parceiro antes de correr para os “finalmentes” (e, sim, isso é sexo de certa forma e não deixa de ser uma perda de virgindade. Pára de condicionar virgindade a hímen porque é bobagem).
Se eu fosse você, me preocuparia mais em garantir segurança emocional do que pensar na performance para não “pagar um mico”. Eu tenho certeza de que ele não vai ficar reparando se você sabe ou não sabe fazer o negócio (e tem muito homem que tem um verdadeiro fetiche por essa coisa de “tirar virgindade das moçoilas”), então o que vale é a intenção. Mas tenho certeza de que você vai sentir-se  a última as mulheres se ele sumir no dia seguinte (essa cultura nossa de que virgindade vale alguma coisa… Ai, que saco!). Aí, minha filha, não queira dar uma de boazona na cama; só garanta que ele será legal com você e pronto.
No mais, relaxe… E pense bem no que perder a virgindade representa para você, para que não se arrependa de qualquer coisa que faça. Porque se você precisou tirar uma dúvida comigo, é porque não está muito certa do que quer.
Outra coisa: desencana dessa coisa de primeira vez. Por melhor que ela pareça ser no dia em que rolar, vai ser sempre pouco conforme você for fazendo mais sexo com esse parceiro, ou mesmo com homens diferentes, e for tendo contato com outras modalidades sexuais, ambientes, fantasias etc. Não porque seu primeiro parceiro vá ser ruim, mas porque - em termos de aquisição de experiência - a relação sexual que mais leva vantagem nisso tudo, é sempre a mais recente.



Eu sou um contraceptivo natural. Depois do sexo passo horas expelindo esperma, até que não reste mais gota alguma entre meus vãos. Minha vagina age sozinha em movimentos involuntários, expulsando o que não lhe apetece. Isso soava completamente normal para mim, até que senti surpresa entre os homens que viam aqueles milhões de meios-bebês invisíveis escapando coxas abaixo. Engraçado isso. E uma bênção, considerando que não pretendo deixar descendentes.
Diante de tal episódio, como dizer que não tenho sorte, considerando que até meus instintos têm planos de acordo com meus desejos? É tão bom saber que o corpo está em perfeita sintonia com a mente, que nem me importo de ficar horas e horas passando pedaços de papel macio entre os lábios para retirar o sumo ácido que insiste em escorrer.
Quando relato que a lixeira de meu banheiro está cheia de esperma, significa simplesmente que passei boa parte do dia depositando nela recortes de seda fina com vestígios dos homens que tive. E, quanto mais horas de sexo, mais pequenos diabinhos para eliminar.
E ainda quiseram um dia castigar Onam*. Mal sabiam que no futuro haveria Cooper.

*Pecado de Onan: bíblico; é citado em Gênesis 38 (versículo de 6 a 10). Onam casou-se com a cunhada com o intuito de dar herdeiros à família, pois seu irmão faleceu sem cumprir tal feito - à época, grande desonra. Ao tentar fecundá-la, o sêmen de Onam caiu no chão, o que levou-o a ser castigado.
Há diversas contradições a respeito da interpretação desta passagem; uns dizem que o castigo foi pelo desperdício do esperma (também associado à masturbação); outros caracterizam o castigo como conseqüência da falha em não consumar o ato.
O que verdadeiramente interessa neste trecho é a lenda de que, a cada gota caída no chão, nascia um diabinho na Terra.



Algumas pessoas são felizes na própria loucura ou no sofrimento.
E de repente metade dos psiquiatras do mundo se torna desnecessária, pois alguns indivíduos não são passíveis de cura - e talvez nem se deva forçá-los a sê-lo.
Percebi isso ao conhecer uma pessoa que gosta das lágrimas que derrama. É como o compositor que só faz a música de sucesso quando está na fossa. É o escultor que molda tristezas nas mãos. É o louco que ama o aperto da camisa-de-força porque este lhe é mais amistoso do que qualquer abraço já recebido.
A insanidade às vezes é um conforto, tal qual a ignorância.
Eu aprendi que só se apega ao pesar aquele que realmente quer agarrá-lo. E é curioso porque a melancolia é uma senhorita sempre presente, mas que não se oferece a quem não a deseja. Ela não tem vocação para puta e só se abre a quem lhe dá espaço. Ainda assim, há quem insista para tê-la ao lado, principalmente na cama, à noite, antes de dormir. E muitos não dormem quando ela se deita ali, juntinho, porque sentem que ela atiça, como uma mulher cheia de desejos. E gozam em lágrimas e gemidos de puro pavor.
Algumas pessoas gostam de ser tristes, pois esse é o único momento em que recebem atenção. E ficam tristes até enlouquecer. E, insanas, são felizes na própria loucura.
Eu estou do outro lado do vidro, vendo quem chora preso aos pensamentos torpes. Mas eu não ministro os remédios. Não a quem não quer tomá-los.
A tragédia até me procurou um dia, mas eu disse que não precisava dela. Então ela saiu, desolada, à cata de quem a quisesse. E encontrou. Ela sempre encontra.



- Fica de quatro para mim, fica.
E em todas as noites essa voz ecoa na minha cabeça. Rouca, firme e incisiva. Ele quase nunca sabe o que quer, mas nessas horas tem a certeza de que aquele é o momento certo para pedir; e que tal pedido vai fechar o sexo tão logo eu me apoiar nos joelhos e empinar os quadris.
Por causa de frases como essa, as masturbações diárias têm se tornado cada vez mais ativas. Deixou de ser a coisa serena da manipulação do clitóris para se tornar um rolar para lá e para cá, uma gama de arfadas, de gemidos nada contidos, simulações de beijos, palavras fortes e apertos intensos. E quase há outra de mim na cama fazendo sexo comigo, a terceira pessoa que sou eu mesma. E me entrego toda a mim, simulando os toques selvagens ou as carícias ternas de acordo com meu humor do dia.
Conforme a coisa esquenta, me pego ouvindo a voz bem nítida e me coloco na posição solicitada, pronta para remexer os quadris devagarzinho até bambear as pernas e gozar. E quase sou capaz de sentir a maneira como ele fica dentro de mim depois do orgasmo, entrando e saindo de forma muito lenta. E o perfume impregna o quarto e os pêlos imaginários se espalham pelo lençol.
É curioso como todo esse ritual sozinha soa satisfatório, e percebo que gosto mais da expectativa do que do jogo. Ainda mais agora que tenho imagens bem nítidas para olhar enquanto estimulo corpo e ego.
Meu êxtase é conduzir a brincadeira do meu jeito e, cada vez mais, o outro faz da distância física um bem e parece menos necessário. A voz rouca continua ecoando, me pedindo para abrir ou fechar as pernas, pedindo para empinar mais os quadris, mas agora isso acontece sempre que quero. Esse é o barato da coisa. As alucinações andam muito reais e de repente a realidade nem desperta tanta ânsia. Isso porque o sexo comigo ainda continua sendo a melhor coisa - seja na minha opinião ou na opinião dos outros.



A maioria das mulheres que conheço diz que o cúmulo da humilhação seria descobrir que o parceiro a trocou por… um homem. Dizem que até aceitariam serem trocadas por outra mulher, mas que seria terrível descobrir que o parceiro é homossexual.
Eu não tenho desses recalques.
Na verdade, acho até que ia ser mais fácil superar. Pelo menos nunca suscitaria aquela clássica pergunta: “O que é que ele tem que eu não tenho?. Porque, bem, eu já ia saber exatamente o que ele tinha e eu não.



 

Não se enganem: Claudia Ohana fez uma dessas. O bonequinho continua desaparecido (e não sabe usar o GPS).



Uma de minhas amigas chegou com uma idéia de fazer um livro com várias listas de 13 perfis ou itens que valiam a pena ser citados. Podia ser em qualquer área: esporte, culinária, literatura, música… E não precisava ser famoso. Pois é, ela é meio supersticiosa e não queria saber nem de cinco, nem de “dez mais”. Quis logo partir para o 13. E resolveu me colocar no meio da bagunça:
- Por que você não faz uma listagem também?
- Mas em qual assunto? - Perguntei.
- Ah, sei lá… Qualquer um!
- Tá bom. Treze itens que gosto de comer.
- Ih… Esse tá na mão da Flávia Quaresma.
- Hum… - Pensei um pouco. - Treze jogadores de futebol?
- Zico.
- Treze cronistas?
- Zuenir Ventura…
- Treze músicos?
- Nelson Motta.
Me emputeci de vez e parti para a violência - ou para a ironia:
- Que tal os últimos 13 caras com quem transei?
- (Silêncio) Mas você só sabe falar disso?
- Qual é o problema? Convidou a Bruna Surfistinha e eu já perdi o item também?
- Mas por que em vez de falar dos 13 últimos, não fala dos 13 melhores?
- Porque não quero deixar 13 caras cheios de si!
- Então os 13 primeiros… É mais marcante!
- Filha… Minha memória não é tão boa assim.
- …

Bem… Acabei parando para pensar no assunto. E fiz uma listinha numa linguagem muito particular sobre os 13 últimos que passaram por meus lençóis. Ficou assim:
1. Contido, tradicional, mas bom. Dizem que é o melhor papai-e-mamãe da face da Terra. Sou obrigada a concordar.
2. Existem cinco tamanhos oficiais de pênis: enorme, grande, médio, pequeno e aquela categoria na qual esse se enquadrava: ridículo. Tá, mas ao menos sabia usar? Não. Repeti a transa com ele só para confirmar se estávamos num dia complicado ou se ele é que era ruim mesmo. Ele era ruim mesmo.
3. Previsível. Mas tudo bem, eu já o conhecia tanto que podia saber de antemão o que viria na cama. Beijava bem.
4. Enorme. Ombros enormes, mãos enormes e pênis enorme. E uma violência contida enorme também. Adorava um sexo bem animalesco e a velha cena do estupro simulado.
5. Uma palavra: péssimo.
6. Outro dos grandes. Pena que a imaturidade era grande também. Ainda bem que na hora do sexo não tem conversa.
7. Promíscuo. Tenho medo de chegar perto dele de novo e de pegar qualquer DST por osmose. Pulei fora o quanto antes.
8. Baixinho. Não gosto de homens baixinhos. E meio feinho. Esse é daqueles que a gente come escondido porque não tem coragem de apresentar a ninguém. Ah, sim: ele ficou meio complexado por ter sido colocado na posição de homem-objeto. Nem era isso tudo, mas na época eu tava a fim de sexo sem dor de cabeça.
9. Outro que beijava bem. Acho que isso é privilégio dos garotos, que trepam pouco e beijam muito, então acabam virando experts no assunto.
10. Largou a namoradinha em casa para sair comigo. Bem… Não era bem “namoradinha”, mas uma trintona bem complexada. Esse era grande no tamanho, mas o pau não acompanhava. Sexo básico e bem esquecível (mas não para ele, que gozou quatro vezes).
11. Melhor na cama do que no papo. Mas como dito anteriormente: quando se trepa não se conversa. Ficou cansativo depois de um tempo, pois ir para a cama com ele era sempre um imenso déjà vu.
12. Um cigarro de maconha, meio comprimido de ecstasy, um pênis bem grandinho e camisinhas de menos. Nem aproveitei muito porque ele me pegou num fim de semana agitado.
13. Tamanho ridículo - parte II. Só que esse realçava mais porque tinha mais de 1,80m de altura. Mas pelo menos sabia usar melhor do que o número 2 da lista (o que não é muito difícil, mas tudo bem). De resto, pêlos nas costas, álcool nas ventas em excesso e transa rápida e esquecível. Muito esquecível.